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Jesus, o Empreendedor de Sucesso



       A imagem que temos da profissão de Jesus é a de um pobre carpinteiro numa pequena oficina de fundo de quintal. Um operário cansado e atribulado lutando pelo pão de cada dia. No entanto, a Bíblia nega essa imagem religiosa tradicional e negativa da profissão de Jesus.
       Primeiro é bom ressaltar que a profissão de Jesus retratada pela tradição religiosa como “carpinteiro” é um equívoco de tradução textual da Bíblia. A palavra “tektõn”, do grego τέκτων, usada para se referir à profissão de Jesus, se aplica tanto à função de carpinteiro quanto às de pedreiro, serralheiro, mestre de obras e construtor. Significa também inventor, projetista e arquiteto (1Co 3.10). Aliás, tektõn é a raiz das atuais palavras “arquiteto”, “técnica” e “tecnologia”. Um tektõn poderia projetar e construir uma máquina, uma carruagem, um navio, uma casa, uma ponte, ou um templo. No Antigo Testamento um tektõn era tratado com muito respeito porque seu trabalho era tido como uma dádiva de Deus (Êx 35.30-33; Cr 24.12). Sempre foi difícil encontrar esses profissionais em Israel, tendo em vista a vocação camponesa dos israelitas, baseada na criação de animais e cultivo da terra (2Sm 5.11). Em tempos de guerra, esses profissionais eram poupados da morte e levados cativos juntamente com os príncipes, ou seja, eram pessoas de grande importância (Jr 24.1).
       Segundo, os proprietários de oficinas podiam empregar até 50 pessoas, como era o caso de algumas tecelagens e empresas de peca (Mc 1.20). Considerando as estruturas de Seu tempo, o mais provável é que Jesus fosse um artesão altamente qualificado, proprietário de oficina, com muitos empregados. A categoria dos artesãos proprietários de oficina se localizava entre os ricos (corte de Herodes, nobreza sacerdotal, grandes comerciantes e proprietários de terra) e os pobres (diaristas, escravos e assistidos). O que eleva o status social de Jesus à classe dos judeus medianamente favorecidos.
       Em terceiro lugar, Jesus como filho de Deus possuía muitos dons e talentos e multiplicou-os fielmente recebendo a recompensa (Mt 25.20, 21). Jesus era um trabalhador autônomo, capaz de exercer com excelência diferentes habilidades profissionais, de acordo com os serviços contratados. Jesus, como perfeito homem, agregava ao seu trabalho alegria e arte, entusiasmo e energia. Estava sempre procurando novos mercados, criando novos produtos e se aperfeiçoando no manejo das ferramentas. Jesus aproveitava todas as horas do dia para trabalhar (Jo 9.4). Jesus era perfeito como profissional, da mesma maneira que era como homem. Jesus era um sucesso em tudo o que fazia.
      Quando algumas pessoas viram Jesus fazendo milagres disseram: “Não é este o carpinteiro...? E escandalizavam-se dele” (Mc 6.3). As pessoas não se escandalizaram da profissão de Jesus, mas porque não era comum um empresário operar milagres. Isso prova que ser um ministro de Deus independe da profissão que cada um exerce.
       De fato, contrariando a tradição religiosa cristã, Jesus não viveu no mundo como “pobre operário”. Tão pouco como escravo, servo ou assalariado. Mas como um trabalhador autônomo, um homem de negócio, um empreendedor. Um profissional que fazia do seu trabalho uma obra de Deus.
       Jesus é perfeito modelo e exemplo como profissional para nós hoje.

*Roberto Marques é educador, escritor e palestrante especialista em Teologia do Trabalho. www.ministeriopescar.com

Fontes:
1. Volnei Inocêncio. Prosperidade, você quer? Rondônia: Gráfica Peniel, s/d, p. 64.
2. Émile Morin. Jesus e as estruturas de seu tempo – 4ª Ed. São Paulo: Paulinas, 1988, p. 28, 39.
3. Roberto Marques. A lei do sucesso segundo Jesus. São Paulo: Fôlego, 2008, p. 154.
4. Wikipedia. Historical Jesus. http://en.wikipedia.org/wiki/Historical_Jesus. Capturado em Jul/2011.

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